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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Indicador Fundamentalista – P/L

Fala, pessoal, tudo certo? Hoje volto com o tema de análise fundamentalista. Vou partir para o indicador mais básico de todos, normalmente o que aprende-se primeiro, que é a relação entre preço da ação e a o lucro da empresa correspondente.
O indicador P/L é bastante utilizado por muitos investidores. No entanto, há que se tomar cuidado com ele. Normalmente é pregado que quanto menor o indicador, mais barata estaria uma ação, indicando assim uma boa compra. Mas será mesmo? Vamos analisar um pouco mais a fundo.
O estudo que demonstrarei aqui é apenas parte do que Damodaran mostra no livro Mitos de Investimentos.
Pode ser mostrado que um modelo simples de valor presente líquido aplicado a dividendos será igual a:
\(Valor = \dfrac{Dividendo~esperado~por~ação~no~próximo~ano}{Custo~do~Patrimônio - Taxa~esperada~de~Crescimento}\)
Dividindo ambos os lados por lucro, ficaremos com a relação dividendo/lucro, que nada mais é do que o Payout de um lado e aparece o P/L do outro. Ou seja:
\(P/L = \dfrac{Taxa~de~Payout~esperada}{Custo~do~Patrimônio - Taxa~esperada~de~Crescimento}\)

E empresas que não pagam dividendos? Damodaran responde: “(...)as empresas que crescem a tais taxas estáveis precisam ter caixa disponível para devolver aos seus acionistas; a maioria das empresas que não paga dividendos o faz porque precisa reinvestir na empresa para gerar um crescimento elevado.”
Ou seja, ao analisarmos a fórmula acima podemos perceber que o P/L na verdade é uma fórmula que depende de três fatores. Dois fatores intrínsecos à empresa (payout e crescimento) e um outro que irá aparecer em qualquer modelo econômico, que é o risco (custo do patrimônio).
Matematicamente falando, se o payout aumenta ou taxa de crescimento aumenta, então o P/L também aumenta. E se o risco aumenta, o P/L diminui. Em formato de tabela:
Variável
Mudança
Efeito no P/L
Payout
Aumenta
Aumenta
Taxa de Crescimento
Aumenta
Aumenta
Custo de Patrimônio
Aumenta
Diminui
Assim, o que o mercado precifica será na verdade uma expectativa destas três variáveis em conjunto.
Ou seja, uma empresa que esteja com o P/L baixo, pode significar altíssimo risco, mesmo com payout e crescimento razoáveis.
Já uma empresa com a tríplice coroa (alto payout, alto crescimento, baixo risco), deveria ter um P/L nas nuvens.
Uma empresa super barata, pode estar refletindo baixo crescimento e alto risco, o que realmente tornaria o seu P/L bem baixo.
Uma dívida muito alta, pode ser refletida em alto risco, jogando o P/L bem para baixo. .
Interessante notar também que se tivermos uma empresa com maior risco e também maior taxa de crescimento do que outra, mas ambas com payouts parecidos, podemos ter, para um mesmo valor de P/L uma empresa mais arriscada que outra (e também com maior expectativa de retorno; o velho equilíbrio entre risco x retorno).
Outro exemplo real aplicado ao nosso mercado: no setor bancário, é comum que Itau e Bradesco estejam sempre com o P/L acima do Banco do Brasil. Mas todos são ótimos bancos lucrativos. Por que então o Banco do Brasil possui um P/L menor? É o efeito governo. Este efeito aumenta o risco de investimento no Banco do Brasil. Olhando para a tabela: risco aumenta, P/L diminui. Está completamente de acordo.
A conclusão que fica aqui é: cuidado ao analisar o P/L. Uma empresa de baixo P/L pode estar refletindo também um alto risco. O investidor precisa avaliar se os três fatores que compõe o P/L e se as expectativas estão coerentes com o que ele espera que a empresa pode proporcionar. E sempre é bom lembrar que nenhum indicador fundamentalista deve ser utilizado sozinho para decisões de investimentos.
É isso aí galera, por hoje é só!
Abraços a todos!

59 comentários:

  1. Boa noite. Existe um anônimo que ficou bravo quando perguntei sobre estratégia direcional, relativamente ao IBOV. Sou iniciante no assunto. Fiquei curioso acerca dos testes empíricos que o próprio anônimo sugeriu fazer. Já me desculpando, pois sou iniciante no assunto, gostaria de exemplos para clarificar a questão.

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    1. Desculpe, anônimo, está fugindo completamente ao tópico. Poste em outra oportunidade que podemos discutir isso.

      []s!

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    2. Foi há dois posts atrás. Quando eu mencionei sobre a bola de cristal. Aliás achei interessante a discussão ao longo do mesmo post. Parabéns pelo elevado nível. No fim, lembrei que poderia se tratar de um paper do Sharpe. "The Arithmetic of Active Management". Seguem duas referências sobre o tema:

      Bogel, J.C. A question so important that it should be hard to think about anything else. Journal of Portfolio Management, 2008,
      Carhart, M.M. On persistence in mutual fund performance. The Journal of Finance, March 1997,

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  2. Boa noite. Aproveitando, pergunto se existe algum teste empírico, ao menos correlacionando as variáveis acima citadas no artigo, com o desempenho dos ativos? Ou com outras variáveis do tipo filtro fundamentalista?

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    1. Não conheço.

      Caso alguém conheça, favor disponibilizar.

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    2. Agradeço. Na última carta da FAMA, eles cuspiram várias dispersões para refutarem a utilidade da aplicação de filtros fundamentalistas para a geração de retornos. Procura algo no mesmo sentido, mas com melhor tratamento.

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    3. Mais uma pergunta, aproveitando o seu post. Você já fez um post considerando o efeito sobre o P/L à mudanças na taxa de crescimento do bottom line, relativamente a cenários de SELIC? Pergunto, pois, a maioria busca ações com P/L baixo e ignoram ações de elevado crescimento, mesmo em ambiente de baixas taxas de juros (logicamente em um passado). Como as educacionais, empresas de shoppings, etc. Às vezes, fico com a sensação de que estão comprando armadilhas de valor e ignorando as grandes porradas. Ademais, como você precifica as ações, relativamente à curva de juros de longo prazo. Pois percebo que a maioria toma tais múltiplos com base na SELIC corrente.

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    4. *Procura = Procuro

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    5. Colega, há vários deles. Para um, com um viés mais de value investing, ver "What has worked in investing".

      Poderia disponibilizar o link dessa carta da fama, e o que significaria ignorar filtros fundamentalistas? É ignorar uma estratégia de value ou simplesmente qualquer análise da empresa?

      O problema é que o Brasil não possui baixas taxas de juros, então quem está comprando ações educacionais está comprando expectativa de crescimento muito acelerado na maioria dos casos. Uma baixa taxa de juros realmente eleva os P/L, como está na fórmula, e pode ser visto em mercados mais consolidados como o americano.
      Qual seria a armadilha de valor? Não ficou claro no seu texto.
      A precificação varia de acordo com a taxa de juros, mas se quiser tornar o teste mais sensível você pode estimar de acordo com a taxa de juros esperada para o futuro de acordo com o fluxo de caixa esperado.

      Abraço!

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    6. Anônimo 4 de setembro de 2014 23:51,

      todos os conceitos perguntados por você podem ser explicados com o raciocínio do texto.

      O detalhe para empresas de crescimento, é que você abriria o fluxo de caixa em mais partes, considerando, por exemplo, um crescimento maior na fase inicial e estával na fase final. Mas em nada muda o raciocínio resumido na tabela.

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    7. Obrigado soulsurfer. Apenas estava querendo entender sobre a interação entre as expectativas de crescimento e as de taxas de juros, dentre outros N fatores, sobre a análise de múltiplos. Há dois/três anos atrás, houve um fechamento da curva de juros, fase na qual observamos uma valorização das ações de consumo. Poucas pessoas conseguiram se beneficiar de tal valorização, pois os múltiplos, à época anterior a tal fechamento, estavam elevados. Há 4 anos, os múltiplos das educacionais estavam tão ou mais elevados que os atualmente observados. Poucas pessoas se beneficiaram da valorização das ações no setor. Então, tomando tais casos, é que eu gostaria de me deparar com um estudo pelo qual se demonstre empiricamente a utilidade da análise de tais múltiplos relativamente à performance das ações. Me parece que a maioria dos blogueiros se fundamentam em tais análises. Mas, existe realmente contrapartida em termos de retorno?

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    8. Sobre o link, soulsurfer, trata-se do relatório de gestão do fundo para o segundo trimestre deste ano. Está no site deles.

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    9. Obrigado DiMarcinho. Sei que o valuation inicialmente sugerido diz respeito ao modelo de Gordon e, portanto, aplicável a empresas de crescimento estável e com fluxo de dividendos tendendo ao FCF. É que a minha dúvida era outra. Inferir/analisar sobre a rentabilidade futura de uma carteira recai, por exemplo, sobre o custo do capital relativamente ao ROE dela. É básico. Trata-se de criação ou não de valor ao acionista. Mas, como analisar se um dado ROE baixo hoje, pode superar extraordinariamente o custo do capital amanhã? Você analisa somente em termos de séries passadas, esperando uma reversão à média?

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    10. Olá, colega.
      A sua dúvida, se é que entendi corretamente, é se uma abordagem de valor produz resultados no longo prazo, já que listou alguns exemplos onde o crescimento foi recompensado.
      Eu gosto da análise de valor conjugada com margem de segurança.
      O paper que eu indiquei traz um compêndio de vários estudos (devem ser mais de 10), onde se analisa: baixo P/L, baixo P/VP, baixo/alto payout, baixo/alto pagamento de dividendos.
      Os retornos podem ser no curto/médio prazo não tão expressivos (em comparação com papeis ou setores com maior taxa de crescimento e múltiplos mais esticados), mas para mim é uma forma mais segura de se investir.

      Uma empresa sem grandes riscos (baixo investimento e consolidada no seu setor) pode estar sendo negociada com P/L de 10. Para mim, mantidos os fundamentos, é improvável que ela vá a um múltiplo de 5 e fique muito tempo lá, pois estaríamos falando de earning yields muito superiores ao ativo livre de risco.
      Uma empresa ótima com crescimento potencial negociada a P/L de 30, o que a impede do mercado precificar para um múltiplo de 15 sem que nada de extraordinário tenha acontecido? Como eu não consigo entender, prefiro ficar de fora, mesmo que talvez abdicando de retornos potenciais maiores no curto/médio prazo.

      Abraço!

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    11. Empresa sem grandes riscos (baixa dívida, não baixo investimento).

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    12. Anônimo 5 de setembro de 2014 13:37,

      o modelo de precificação trabalha com o custo do capital hoje. Teoricamente falando, se o custo de oportunidade do investidor (por ex, CDI) é superior ao custo do capital da empresa, então ele deveria investir no CDI.

      É claro que se há uma expectativa de crescimento da taxa de juros, isto já deveria ser utilizado também para cálculo e decisão. Ex: se tenho uma empresa madura com payout 80%, crescimento 4%, risco 11%; neste caso, P/L de 11,43; se entendo que possa haver um crescimento na taxa livre de risco para 13%, este P/L já passaria para 8,90.

      Ou seja, mesmo com uma expectativa de crescimento na SELIC, a compra do ativo com P/L inferior a 8,90 ainda seria "vantajosa".

      Sobre o que EU faço, como já repeti diversas vezes aqui no blog, é um cálculo de preço justo sendo relativamente conservador nas variáveis utilizadas no modelo; a ideia é que sendo conservador, mesmo que algo dê errado (ex.: subida na taxa de juros), mesmo assim ainda seja vantajoso ter realizado a compra.

      []s!

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    13. Legal conversar com você. Só fico confuso ao negarem a existência de valor em múltiplos elevados, em se tratando de empresas com altas expectativas de crescimento. Pelo que você respondeu, o que existe é uma dificuldade para analisar este tipo de ação. OK.

      Para mim, é claro que múltiplos baixos se relacionam à baixa capacidade de crescimento. Dessa forma, o que vc pretendeu dizer é que apesar de apresentarem baixo crescimento, as suas ações preferidas possuem estabilidade de lucros para suportarem os dividendos, razão pelo qual não faz sentido uma quebra para um P/L de 5. Logicamente, caso porventura se depare com tal múltiplo - por exemplo, em risco sistêmico, vc compra e fica rico na eventual reversão à média histórica. É isso? Significa, então, que o seu retorno é altamente dependente de se acertar entradas em momentos de turbulência?

      Uma coisa que me deixa confuso é que, intuitivamente, o que me parece trazer retorno é a evolução do seu "earning yields", travando o preço hoje. Isto é, a evolução do lucro futuro. A primeira e a segunda derivada do lucro. Supondo que não temos bola de cristal, como inferir se uma ação irá performar bem?

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    14. Colega,
      Se a discussão for para melhorarmos enquanto investidores, beleza. Se for para começar a distorcer conscientemente o que for dito, aí acho que perde o sentido, não é mesmo?

      a) Se realmente quer continuar a discussão de uma maneira mais técnica, sugiro mais uma vez a leitura do paper. Caso possua outros estudos para indicar sobre a falta de evidência empírica para a estratégia de value small, por gentileza diga quais são;
      b) Não necessariamente, o exemplo do BBAS citado no texto foi claro. A depreciação dos múltiplos não estava relacionado com o baixo ROE;
      c) Você fala em risco sistêmico. Se o sistema está em risco sistêmico, creio ser difícil dizermos que os fundamentos estão se mantendo, não concorda. Portanto, essa hipótese é diferente do que eu disse:" Para mim, mantidos os fundamentos, é improvável que ela vá a um múltiplo de 5 e fique muito tempo lá, pois estaríamos falando de earning yields muito superiores ao ativo livre de risco."
      d) Caso se interesse, há diversos estudos mostrando momentum no curto prazo, e regressão à média no longo prazo. Não se fica rico fazendo isso, se fica rico acumulando e gastando menos do que se ganha. Aliás, não sei qual é a sua definição de riqueza.
      Porém, se você está líquido em momentos de turbulência costuma ser uma boa coisa.
      e) Sim, você tem razão. Porém, e isso é uma questão de estatística e lógica, é mais fácil uma empresa crescer os seus lucros em 5% aa, do que a 10% aa. Se colocarmos crescimentos como 15% ou 20% aa as chances vão ficando cada vez mais diminutas. Portanto, corre-se o risco de se pagar caro demais pelo crescimento. Aliás, se você ler o verdadeiro compêndio financeiro que é o "Expected Returns" do Ilmanen, ele fala expressamente algumas vezes no livro que um dos maiores riscos é pagar um preço muito alto pelo crescimento, e histórias não faltam para corroborar essa hipótese;

      Abraço!

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    15. Foi para o SoulSurfer. Mas agradeço o dimarcinho. Entendi o que você disse. Mas, voltando ao post, o desconto de BBAS relativamente aos bancos privados é função da percepção apenas, ou materialmente existem indicadores econômico ruins que o fundamentam. Por exemplo, a trajetória de inadimplência, e o ROAE? E como calcula o custo do patrimônio. Hoje, a maioria das empresas possuem boa parte do endividamento atrelado à TJLP + 1%/2,5%. Tende a justificar P/L's mais elevados estruturalmente?

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    16. Sinceramente, não foi minha intenção distorcer nada. Só quis tentar induzir para o seguinte raciocínio que eu achei intuitivo quando, de forma leiga, li o post. De que baixo crescimento fundamenta P/L baixo, mas mirar em baixo crescimento possui o benefício de se tornar a inferência mais simples. Vc mesmo respondeu, ao dizer que o problema é com o desconforto em análises de empresas que naturamente possuem P/L elevado e que, portanto, troca tal tentativa de análise em detrimento de perseguir retornos mais elevados. Poxa....

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    17. Desculpa. Estou me retirando. Fui impertinente.

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    18. Colega,
      Eu estou longe de entender profundamente bancos. Porém, uma vez li que as carteiras de crédito do BB eram similares aos outros dois grandes, inclusive sendo que algumas carteiras seriam até mais sólidas. Os índices do BB são de certa forma similares, se não fosse a percepção negativa dificilmente se sustentaria níveis de precificação a R$ 18,xx como chegou nesse ano.
      O custo do patrimônio você faz ponderando o custo de capital de terceiro com o custo de capital próprio. Aqui mesmo no Di Finance há diversos artigos sobre esse tema em específico.

      Hum, quando você disse que basta comprar com P/L de cinco e ficar rico, pareceu-me uma provocação desnecessária, se você diz que não, ok.
      Sim, para mim é mais complexa a análise. Se há pessoas capazes de fazer essa análise, acho extremamente válido que elas busquem rentabilidades superiores. Se eu conseguir um fluxo de renda real de uns 5/6% aa já está mais do que suficiente para mim.

      Abraço!

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    19. OK. Quais empresas, hoje, geram fluxos de renda acima de 5% quando o PIB real é negativo? Você mantem sua carteira de ações, com base no histórico de retorno de dividendos ou na sua crença de que manterão o fluxo de renda acima de 5% - isto é, baseia a manutenção de seus papéis na crença de que as variáveis específicas comentadas pelo dimarcinho sustentarão tal fluxo de renda no futuro?

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    20. Anônimo,

      acho que você está confundindo as coisas. Veja:

      "Só fico confuso ao negarem a existência de valor em múltiplos elevados, em se tratando de empresas com altas expectativas de crescimento."

      Onde neguei esta existência?! Se a empresa realmente entregar o crescimento proposto, será excelente negócio, mesmo pagando altos múltiplos.

      Mas, como dito, altos retornos tendem a carregar altos riscos. Exemplo recente: OGX. Expectativa de crescimento alta e, sendo operacional, risco alto. Atualmente, expectativa de crescimento baixo, risco alto (empresa em estado falimentar).

      "Para mim, é claro que múltiplos baixos se relacionam à baixa capacidade de crescimento."

      Dado o exposto no texto, discordo de vc. É necessário avaliar os 3 critérios. O resultado destes 3 números é que vai dar a você o P/L.

      Exemplo atual: Petrobras. Uma empresa do tamanho da Petrobras, dobrar de tamanho em termos de produção não é todo dia. Mas isto está às custas de muita dívida. Resultado: expectativa de crescimento alta, risco alto.

      "Significa, então, que o seu retorno é altamente dependente de se acertar entradas em momentos de turbulência?"

      Sim, dado o exposto, se a análise é por P/L, ela diretamente está ligado ao preço, então sim, é necessário entrar dentro de uma janela de oportunidade adequada. Mas não necessariamente em momentos de turbulência.

      "Supondo que não temos bola de cristal, como inferir se uma ação irá performar bem?"

      Em renda variável sempre há o risco.

      Na vida, sempre há risco. Utilizar como contra-argumento bola de cristal, me desculpe, mas é muito forçado. Por quê? Podemos utilizá-lo para qualquer situação. Se for assim, gostaria de questionar pq projetam aviões voando em função do seu peso e, consequentemente, a gravidade. Quem garante que não irá aparecer um Cisne Negro e de repente invertero sentido da gravidade e começar a jogar todos os aviões para fora do planeta? Um absurdo, devemos nos proteger contra isso! rs

      Mas tentando responder sobre a bola de cristal: O máximo que pode ser feito é, após estes filtros, utilizar ferramentas para cortar grandes prejuízos, como stop loss ou trabalhar com derivativos, como puts e calls. Mesmo assim, note que os modelos trabalham com somatório ao longo do tempo; ou seja, mesmo que haja prejuízo temporariamente, SE o ativo performar como esperado, no longo prazo é provável que haja lucro (acima do CDI).

      "De que baixo crescimento fundamenta P/L baixo, mas mirar em baixo crescimento possui o benefício de se tornar a inferência mais simples."

      Novamente, são 3 critérios que compõe o P/L. Baixo crescimento não necessariamente vai implicar em baixo P/L. Crescimento é apenas uma das 3 variáveis analisadas.

      []s!

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    21. Logicamente, com a expressão "tudo o mais constante", como o Damodoran costuma dizer, concordamos em 2 pontos (sobre o P/L). No tocante, a empresas de alto crescimento, então concordamos. Risco sistêmico como entrada, concordamos. Só com relação à bola de cristal é que ainda está confuso. Por isso, pergunter sobre a estratégia direcional que outro forista mencionou. Solução para todos os males....

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    22. Soulsurfer. A relação lógica do post é de mantido o crescimento constante, WACC < ROIC, gera-se valor. Qual o WACC das empresas em que investe?

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    23. Olá, colega.
      É um questionário? :)
      Diga-me você sobre a sua estratégia. Sim, pois você comenta em muitos posts e não fala muito sobre você e sua estratégia. Brinde-nos.

      Abraço!

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    24. Ah, a "empresa" chamada República Federativa do Brasil ainda paga os seus fluxos reais de 5%, por isso, colega, pague os seus impostos para que possa ser gerado o primário suficiente para que a empresa continue distribuindo os fluxos.
      Temos também as "empresas" (e no EUA assim que são tratadas") FII disponibilizando os seus fluxos de 10% aa.

      Abraço!

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    25. Desculpe. Você está mal entendendo o meu querer entender. Só queria saber sobre sua estratégia ao dizer, no resumo da ópera, que "se eu conseguir um fluxo de renda real de uns 5/6% aa já está mais do que suficiente para mim". Então, suponho, que está dado em pré, via Tesouro Direto e, também, recheado de FII's. Nada de ações?

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    26. Colega, você está fazendo perguntas sobre WAAC, ROIC, citando que o damodaran sempre diz ceteris paribus, parece-me que o seu objetivo não é entender, e nós dois sabemos disso.
      Não disse que consigo, disse que se eu conseguir fluxos reais de 5/6% dou me satisfeito, para a sua pergunta inicial de abdicar de grandes retornos por investir em crescimento. 5% real parece-me algo plausível como Equity Premium.
      Fale você das suas estratégias, papeis, alocações, é bom ser a vidraça de vez em quando. Agora ser anônimo duplamente é um pouco demais não.

      Abraço!

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    27. Claro que é entender. Estou tentando aprender. Não fique com má impressão. Você disse que está satisfeito com fluxos reais de 5%. Citou a "RFB" e FIIs. Agora diz 5% de "equity premium". Sinceramente, não entendi. Que "equity premium" está se referindo? Relaciona-se com o risco de mercado utilizado para avaliação de empresas? Na linha do dimarcinho, a partir do modelo de Gordon que ele apresentou, o que você mencionou se relaciona com a seguinte série (ver link da planilha): http://www.insper.edu.br/cefi/indicadores/premio-por-risco-de-mercado-equity-risk-premium/

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    28. Desculpa. faltou o ponto de interrogação no final.

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    29. Equity premium é sobre o ativo livre de risco. Ele foi negativo no Brasil nos últimos 20 anos pelas altas taxas taxas de juros. Se o Brasil nos próximos anos convergir, e parece que é o que está acontecendo, para taxa de juros menores, é plausível que o equity premium aqui possa gerar retornos reais de 5/6% em períodos maiores de prazo. Estaria em linha com os EUA e alguns outros mercados desenvolvidos.
      Se o Brasil não convergir, poder-se-á continuar ganhando altos yields em FII e na RF.

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    30. Onde existe uma série de tal "equity premium" brasileiro, no citado período, para visualizar os valores negativos que mencionou. Possui metodologia de cálculo? Pensei que fosse o equity risk premium, calculado de forma implícita no link da Insper. Não tem nada a ver?

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    31. Procura que você acha:)
      Sim, ERP, ou também conhecido como simplesmente Equity Premium por alguns.
      Abraço!

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    32. Achei confuso. Vc se satisfaz com um prêmio de risco menor que qualquer valor observado historicamente, conforme a série demonstrada.

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  3. Fala dimarcinho!!!

    Muito interessante este método de análise do P/L.

    Analisando a equação Valor=(Dividendo esperado por ação no próximo ano)/(Custo do Patrimônio−Taxa esperada de Crescimento), temos como resultado o "preço justo" da ação por este método de precificação.

    Desta forma, a equação P/L=T(axa de Payout esperada) / (Custo do Patrimônio−Taxa esperada de Crescimento) nos dá o P/L relativo ao "preço justo" da ação, que pode ser comparado com o P/L relativo ao preço de mercado para determinar se a ação está cara ou barata...

    Vale a pena fazer utilizar esse mesmo raciocínio utilizando outros métodos de precificação, como o fluxo de caixa descontado...

    Valeu!!!

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    1. Sim, como o crescimento do P/L é linear com o preço, comparar P/L's dá o mesmo resultado que comparar preço e valor justo.

      []s!

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  4. E o PEG usado por Peter Lynch? E a fórmula de Neff (http://investimentovalor.blogspot.com.br/2014/07/john-neff-e-formula-de-neff.html)?

    Alguém usa ou já estudou?

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    1. Nunca usei. Para mim, é só manipulação algébrica. Note a crítica da fonte do dimarcinho ao final da apresentação. A relação é altamente dependente das demais variáveis. Logicamente, como no caso do P/L sozinho, faz mais sentido como fator de comparação entre empresas, não? http://people.stern.nyu.edu/adamodar/pdfiles/eqnotes/earnmult.pdf

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    2. É uma tentativa de "amenizar" os P/L's altos com as expectativas de alto crescimento.

      Note: o Facebook foi lançado com P/L = 100

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    3. Não. O próprio Damodoran descarta a utilidade do PEG. Você já utilizou?

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  5. Boa tarde!Esse sem duvida é um indicador bastante utilizado por todos.Para correlação com risco e crescimento acho perfeito.Já na relação com payout,não é bem direta.Já a maneira indireta,ou seja,empresas de alto payout tem geralmente baixo crescimento e P/L...Fiquei meio confuso!
    Acionista25

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    1. Esta é uma regulaçao do mercado, afinal o potencial de rentabilidade em empresas de baixo crescimento é pelo payout alto e isso só funciona se o p/l for baixo

      P/L alto com baixo crescimento, mesmo com bom payout tem potencial de retorno baixo

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    2. Acionista25,

      não tem que ficar confuso. Tem que jogar na fórmula as expectativas que você crê que podem ser consolidadas e comparar com o valor de mercado. Isto para verificar se o preço estaria caro ou barato, dentro de uma linha de valuation.

      O texto busca explicar como os parâmetros afetam o P/L.

      []s!

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  6. Note a discussão acima. Firmas de alto crescimento, são afetadas pelas mesmas variáveis que agem sobre aquele conjunto de baixo P/L. Contudo, são mais arriscadas, pois se expõe a maior alavancagem financeira e pay out mais distantes, vez que necessitam de maiores investimentos.

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  7. O P/L isoladamente não serve para nada.

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    1. Para NADA, não digo. Mas apenas com ele não é possível tomar decisão de compra ou venda. Digo, até é. Mas não garante, dentro da linha fundamentalista, que estaria sendo uma boa compra ou venda.

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    2. Porra marcio, nao complica, veja que vc mesmo respondeu que nao serve pra nada

      Voce gosta de ser do contra

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    3. Amigo, acho q vc precisa entender melhor o que está no texto...

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    4. Marcio, o incoerente, primeiro voce fala que serve pra alguma coisa (isoladamente) ao contraria o coment anterior, mas ai fala que nao serve para decisao de compra/venda. Ai fala que "até serve" mas nao garante. Que porra voce quis dizer? O P/L isoladamente nao serve pra nada, serve pra alguma coisa (pra que?) ou é fundamental?

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    5. Amigo, acho q vc precisa entender melhor o que está no texto... [2]

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  8. Bondia, prófis!

    Cheguei ontem de Iguaba.... kkkk
    Estava com minha equipe de pedalinho treinando pra 2016!

    https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSQ_ZojpiuCujxMwe9JLFxEFyzLhLvdg1QzmfkHi912eT82cB6r

    Por conta do seu post, ontem, fui reler esse capitulo do Mitos. Acho que seria mais instigante ter falado da parte que ele expõe sobre critérios para a filtragem de baixos PLs e tals. Já que geralmente a turma quando começa a lidar com investimentos tende a uma visão maniqueísta das coisas: ou a coisa funciona ou não funciona. E não é bem por aí. Vc tem o "Filosofia" do Damodaran? Digamos que o "mitos" é um resumo / resenha do "filosofia". Vale a pena. Inclusive o capitulo "atração a indexação" também cobre boa parte do que andou se conversando por aqui nos ultimos posts. Atenção especial a partir da pag 481 (caminhos alernativos a indexação) que por sinal guarda alguma relação com o que temos conversado....

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    1. Quis apenas fazer um apanhado simples de como o P/L não é apenas um número solto e que está intimamente ligado a 3 variáveis (payout, crescimento, risco).

      Sim, ele fala dos filtros, cita Graham inclusive... mas meu objetivo foi só dar um palhinha mesmo... quem quiser se aprofundar, que compre o livro... rs

      Não tenho o Filosofias de Investimentos, não; agora q vc disse q é uma resenha, fiquei na dúvida se compro ou não... mas qq coisa dele é boa, então pode ser...

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    2. Fofo,

      Nélson Rodrigues fazia coisa muito pior: "não li e não gostei" e mesmo assim é muito respeitado até hoje por todos apesar de ter pontificado que "toda unanimidade é burra", rs

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    3. Pô, fiquei no vazio... kkkkkkkkkkkkkk

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    4. Cara chato, parece uma vitrola q só vem repetir isso......

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