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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Financial Engineering and Risk Management

Fala, galera, tudo tranquilo? Hoje venho falar sobre um curso on-line que fiz.
Trata-se do curso Financial Engineering and Risk Management, oferecido através do site Coursera.
Este site é bem legal e oferece diversos cursos. Resolvi fazer este de Engenharia Financeira para ver como é. Farei um breve relato do que é como se trata e se ele ajudaria a um pequeno investidor em seus investimentos.

Em primeiro lugar, conhecimento nunca é demais! Mas vamos ver se vale à pena para um pequeno investidor fazer este curso.
O curso trata-se de basicamente dois temas: precificação de derivativos e gestão de carteira. E, aqui já vem um ponto negativo: o que será aprendido é para a indústria, ou seja, os grandes bancos. Mas claro, sempre é possível absorver algo para levarmos junto.
Bom, absolutamente todos os cálculos são baseados em cima de duas premissas:
- Fluxo de Caixa;
- Probabilidades de Risco Neutro (Risk Neutral Probabilities)
Não irei entrar em detalhes, mas os modelos de precificação são sempre baseados nestas duas premissas. No curso são precificados inúmeros instrumentos financeiros, por exemplo: Opções, Termos, Futuros, Swaps, Swaptions, etc. Alguns nunca nem tinha ouvido falar, como caplets.
De certa forma é um pouco assustador ver como criam estes instrumentos. Pois a criação deles cria um problema, que é justamente a precificação. Caso não sejam “corretamente” precificados, criam-se oportunidades de arbitragem, que vou colocar aqui como, para simplificar, “ganhar dinheiro certo”.
Por exemplo, segundo os modelos matemáticos e a fórmula de Black-Scholes, deve haver uma correlação matemática entre as calls e puts (europeias). E a fórmula é a seguinte:
Não vou entrar em detalhes do que é o que na fórmula, mas ocorre o seguinte: se a igualdade não existe, então é possível arbitrar vendendo o lado que está maior e comprando o lado que está menor. É desta fórmula surge uma operação chamada Box. Se for possível realizar a operação, o ganho é quase certo, havendo apenas os riscos de crédito/não pagamento pela outra parte. Pois, matematicamente falando, o ganho é certo, não interessa pra qual direção o ativo se movimente.
E aqui já vemos um dos problemas: os modelos são 100% matemáticos e estatísticos. Não há absolutamente NADA falando sobre empresa, lucro e etc. Eles tratam tudo como se fosse 100% aleatório!
Também foi ensinado como é feita a precificação e explicação dos CDO’s, acho que muitos conhecem o nome pela crise do subprime. E foi explicado o porquê da crise do subprime ter sido tão forte. Infelizmente, muito complicado para explicar por aqui agora, mas foi, em resumo, extrema alavancagem. Operações parecidas (em ideia) com o a Call Ratio Backspread utilizada em opções.
Modelo de Cópula - destruição de Wall Street em 2008
Também há uma parte sobre modelos de liquidez, que é bem interessante e nunca havia visto nada disso por aí.
O interessante é que após terem os modelos bonitos e belos, eles fazem simulações e os preços não batem com os de mercado. Daí o que fazer então? Calibrar os modelos de forma que fiquem com os valores do mercado! Essa parte achei engraçada...
Também é falado sobre gestão de carteiras, com otimização por Markowitz e tals, nada muito diferente do que já foi visto por aí. A ideia é atingir a fronteira eficiente blá, blá, blá.
Ok. Este é o resumão do curso. E o pequeno investidor, pode aproveitar alguma coisa?
Olha, pra ser bem sincero, não dá pra aproveitar quase nada. A parte de opções, que poderia ajudar melhor, é toda focada na precificação, comparações entre americanas e europeias, cálculo de opções exóticas (por exemplo call-to-call) dentre outras. Estas coisas não ajudam em nada o dia-a-dia do pequeno investidor.
A otimização por Markowitz que deveria ser a mais interessante peca por um pecado mortal: ela olha apenas o passado e números, sem avaliar absolutamente nada do que está por vir.
Quer um exemplo? Títulos pré-fixados (NTN-B) ano passado estavam com rentabilidades fantásticas. Otimizada numa carteira pelo modelo de Markwotiz ela entraria com bom percentual.
Mas na verdade como houve muita valorização, a tendência é justamente a oposta (como estamos já vendo hoje...) e existem fundos e modelos que trabalham dessa maneira, mas não foi entrado em detalhes durante o curso.
Enfim, o curso é muito legal, mas vale para quem quer ir trabalhar na área ou então vai ficar algo como uma série da Discovery para nós mortais.
Abraços a todos!


4 comentários:

  1. Fiz um curso de economia financeira básica certa vez, agregou bastante conhecimento.

    Balancear opções é como tentar adicionar uma grama jogando um tijolo, é tão difícil quanto tentar entender todas essas equações.

    Acho que o principal que devemos fazer é, como o AdP falou uma vez, privar pela simplicidade. Em uma grande maioria de vezes, é nela que encontramos os melhores custos benefícios.

    Uta!

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    Respostas
    1. Fala, Estagiário!

      Isso é mais pra quem trabalha na área, pois existem muitas aplicações mesmo. Mas nós sardinhas, não serve pra praticamente nada.

      []s!

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  2. Que bom que vc tem bom SENSO.O computador para quem sabe, calcula muito bem o passado.Ai não caberia mais para Bancos do que para o pequemo investidor?

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    1. Cordooooooorrrrrrrnnnnnnooooo!!!! Estás sumido!!!

      Como disse no texto, este curso é voltado para quem vai trabalhar na indústria financeira, ou seja, Bancos, Fundos, etc.

      []s!

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